Um ano sem HB
Ticiana Bonacin
11 de junho de 2011

Meu Deus, como faço para entregar essa carta? Qual é o seu destino?
Nuvens brancas e fofas como algodão? Um lindo jardim com campos, flores e árvores frondosas? Ou a Via Lactea com imensas constelações? Seja lá qual for coloco em tuas mãos esta correspondência.
Carta para meu Pai
Pai, tenho sentido uma enorme necessidade de me comunicar com você, de contar tantas coisas que aconteceram nesse um ano de sua ausência. Faz tanta falta sua conversa, sua participação, seu interesse e seu apoio...
Agente vai vivendo a vida, como tem que ser e não se dá conta de como o mundo gira depressa.
Sua neta está moça, carinhosa, inteligente, graciosa e tem um jeito de falar igualzinho ao seu, sem dúvida seria seu maior orgulho. Eu e minhas irmãs estamos bem, todas com os nossos corações tranqüilos, acredito. Minha mãe uma rocha que se apóia no imenso amor que sente pela nossa família. Mas em nenhum momento esquecemos de você. As vezes basta um olhar para sabermos que estamos que estamos pensando na mesma coisa: você. No primeiro refrão de uma música o Rodrigo já se prepara...
Eu, eu não esqueço nunca. Penso em o que você teria achado das coisas, qual seria sua posição sobre os assuntos. Penso em como você teria ficado feliz por uma viagem que eu fiz, ou triste com uma tragédia no Japão. Penso no que você teria falado quando a laranja mecânica tirou o Brasil da última Copa do Mundo, ou ao ver o novo código florestal e sobre a morte de Osama Bin Laden. Eu precisava saber a sua opinião por que ela é mais importante pra mim do que a do melhor jornalista ou intelectual do mundo já que você era meu conselheiro “espiritual de assuntos geo-políticos”! (risos).
Queria ver a sua cara ao saber a tia Inês vai ser avó e a bebê vai ter um nome que você adorava, Cecília (Maria Cecília). Queria que visse minha filha crescer, a Natália se formar, eu envelhecer, o mundo mudar etc e etc Queria de novo seu abraço quando eu choro pelos horrores do mundo e só você entendia minhas lágrimas. Queria um beijo de Natal, de Feliz Ano Novo, de Aniversário, queria o impossível.
Pai, que falta você faz em cada momento coditiano, num café bem de manhazinha, naquele fundo lá casa, no degustar de uma simples mexeria, numa festa gelo e Cuba Libre e nos álbuns de fotografia.
Eu queria isso, olhar para traz , analisar este ano, e vi que a vida segue, com muitas coisas boas, notícias chocantes, surpresas e busca constante da felicidade, e isso estou fazendo fique sossegados, mas não dá para não constatar o enorme vazio que você deixou.

Saudades

Ticiana




Cidadão Andiraense
Ticiana Bonacin
11 de junho de 2010



Helio Bonacin Eu conheci e muitos de vocês também, senão o homem que mais amou Andirá, com certeza um deles. Seu nome é Hélio Bonacin. E todo esse amor não é gratuito, vem de todas as coisas boas que essa cidade proporcionou a ele.

Quero agradecer à Andirá por trilhado os passos dele em belo e sólido caminho. O caminho do bem. Nessa terra o menino Hélio pode nascer na fartura da lavoura, nos braços de uma família batalhadora e acolhedora, pode sonhar os mais singelos sonhos das crianças como tomar um sorvete ou ganhar uma bola, ele pode ser orientado pelos professores do bom caráter, que mais do que disciplinas o ensinaram a ver a vida com os olhos abertos, ele pode criar as mais sólidas e sinceras amizades.

Nessa cidade ele dançou os inesquecíveis carnavais, cantou as canções da juventude, conviveu com pessoas incríveis, e sonhou. Foi para longe atrás de seu sonho, mas nunca tirando do coração a querida Andirá, a família Andirá, os amigos Andirá, o sonho Andirá. Foi e conseguiu começar a construir o seu edifício, feito de mais amigos,de muitas experiências, de trabalho duro, do encontro do verdadeiro amor e da formação da sua própria família. Mas longe não iria ser perfeito, o edifício tinha continuar aqui, por isso o Hélio voltou com toda a sua bagagem para retribuir a cidade tudo de bom que ela lhe deu. E isso ele fez com seu esforço para melhorar a vida das pessoas, com o orgulho de ser andiraense, com seu respeito e cuidado com a comunidade, com a sua sabedoria nos momentos mais difíceis, com a sua perseverança e fé, com seu otimismo e bom humor.

E assim, no seu ritmo, tropeçando, caindo, levantando, vibrando a alegria de viver a vida, ele conseguiu erguer o seu edifício no lugar mais valorizado dessa cidade: o coração de todos nós.

Um edifício bem projetado, de fortes estruturas, com acabamento delicado, confortável e com uma fachada muito alegre. E para visitar esse edifício é só fechamos os olhos e lembrarmos daquele homem manso, de passos leves, sorriso estampado e braços abertos.

Obrigada Andirá, por ter me dado o Hélio, o meu pai, meu amigo, meu professor.

Um legítimo pé vermelho!

Hélio Bonacin + 10/06/2010

Ticiana Bonacin