Veja Andirá - História do Município

Como tudo começou...

*Regina Barbosa Ferraz Kinker


Em 1918, Bráulio Barbosa Ferraz e sócio compraram de Benedito Marcondes, uma área de 500 alqueires paulistas, pertencente ao município de Jacarezinho, estado do Paraná, a que deram o nome de "Antas".
Em 1922 constituem uma firma, Barbosa Ferraz Jr. & Filho e iniciam o plantio de café. Com a compra de novas áreas de terra no interior do Norte do Paraná tiveram que abrir picadas, estradas e construir balsas (rio das Cinzas e Laranjinha). Bráulio gerenciou a Cia Agrícola Barbosa "Água do Bugre" (Cambará), durante cinco anos. Levantava às quatro horas da manhã, e o expediente de trabalho era das seis às dezoito horas. Além de suas atividades, teve que aprender russo para lidar com uma leva de imigrantes. Estes vieram iludidos pelo seu próprio governo. Venderam suas propriedades e trouxeram dinheiro para comprar novas terras, mas, não sabiam que pelo contrato teriam antes que trabalhar dois anos em uma propriedade de café. No início, recusavam-se a trabalhar, tendo que ser acionada a milícia para que a ordem pudesse ser mantida.
Na propriedade, existia um livro registro onde constavam todos os nomes dos visitantes que por lá passaram. Este livro encontra-se até os dias de hoje na Fazenda das Antas. Neste mesmo documento encontramos, depois, muitos agradecimentos e assinaturas dos visitantes da Cia.
Em 1928, Bráulio Barbosa Ferraz, sua esposa Aracy Álvaro Barbosa Ferraz e seus três filhos: Sylvia, com cinco anos, Mário, com três anos e Anna Maria, com um ano, vieram residir nas "Antas". Com eles vieram: a professora Josephina de Souza, Miss Laura Isabelle Knott (68 anos) amiga e preceptora inglesa e, logo depois, uma governanta suiça/alemã, Fran Ehmsen. Em 1929, nasce a quarta filha do casal: Regina.
Os trilhos da estrada de ferro passaram em suas terras em direção à Estação Ingá, dando início à Vila Ingá.
Bráulio participou ativamente das Revoluções de 1930 e 1932.
Com o falecimento de sua mãe, Anna da Silveira Corrêa, em 1932, Bráulio troca com seu pai parte da herança que lhe coube, ficando único proprietário das "Antas".
Em 1936 é eleito prefeito da cidade de Cambará(PR). Na sua gestão deu prioridade ao saneamento básico da cidade, que foi naquela época, a segunda cidade do Paraná a ter uma rede de esgoto.
Em 1936, a Vila de Ingá tinha cerca de 800 habitantes e, nas "Antas", ficava o Centro Recreativo, Cultural e Social da Vila, aonde os moradores de Ingá iam aos sábados à noite e aos domingos participar das festas, dos bailes, assistir a filmes (1945) e aos jogos de futebol que reuniam equipes da cidade e das fazendas vizinhas. O campo ficava no meio da mata e os familiares e namoradas dos jogadores sempre assistiam aos jogos e apreciavam uma bela paisagem.
O Interventor do Paraná, Manoel Ribas em 1944 nomeou Bráulio para prefeito de Andirá, cargo em que permaneceu por tempo suficiente para construir o prédio da municipalidade e organizar o novo município.
Em 1946, inaugura a Indústria de Óleos Andirá S/A, tendo seus equipamentos sido feitos pelo engenheiro Alfredo Michaelis, de São Paulo e auxiliado na sua montagem o Senhor Basílio Kolotelo. Iniciou-se com a extração de óleo de tungue, na época, usado no sombreamento de cafezais. Seu primeiro gerente foi o Senhor Carlos (Karl) Henrique Brech, que residia com sua família na fazenda das Antas. Anos mais tarde, Bráulio vendeu suas ações para o Conde Hans Maria Donnersmarck, que passou a residir numa chácara em Andirá, onde se situa o atual Ingá Country Club. Posteriormente, a indústria passou a extrair óleo de algodão e milho.
Com a plantação de café, veio também a "broca" (espécie de praga que atingia os cafezais). Para combatê-la, inicialmente, Bráulio utilizou a "vespa de Uganda". Com o passar dos tempos, o combate das mesmas por esse processo tornou-se inviável, surgindo então o polvilhamento aéreo.
Em 1944, Mário (filho de Bráulio) saiu de São Paulo e veio trabalhar na fazenda após tirar o "brevê" de piloto - seu instrutor foi José Nakaoka de Cambará - construiu um campo de aviação e hangar na fazenda, sendo o pioneiro na região no serviço de prevenção das pragas do café e do algodão. Mário conhece Maria Tereza Brito em Andirá, através do Dr. Álvaro Andrade Margotto, tornando-se seu cunhado. Casa-se em 1950 e vai residir em casa própria (doada pelos seus pais) nas proximidades da casa da séde da fazenda, com uma vista ampla e próxima a uma belíssima figueira branca. Nesta mesma década, Mário abre a firma Barbosa Ferraz Indústria e Comércio Ltda, tendo como sócios minoritários seu pai e suas três irmãs. No início, beneficiava o algodão da fazenda e da região do Norte Velho, sendo que nesta época até um avião da Real Aerovias fez aterrissagem forçada nesses algodoais.
Em 1952, Bráulio se ausenta da administração da Fazenda das Antas, indo para Apucarana(PR), assumindo seu lugar o filho, Mário.
Em Apucarana, juntamente com seu irmão Leovegildo Barbosa Ferraz, Bráulio assume a administração da Sociedade Territorial Ubá Ltda, em terras com uma área de 85.000 alqueires, situadas no coração do Paraná, na confluência dos Rios Ivaí e Corumbataí. Construiram 1900 km de estradas e fundaram as cidades de Ivaiporã, Rancho Alegre e São João do Ivaí (PR).
Em 1959, Mário Barbosa, sua esposa Thereza e quatro filhos transferem-se para São Paulo. Tendo muito sucesso na administração, deixou a fazenda das Antas em ótima situação financeira, transferindo também a administração de sua firma Barbosa Ferraz Indústria e Comércio Ltda. para sua propriedade em Itapeva, estado de São Paulo.
Bráulio Barbosa Ferraz, renuncia à direção da Sociedade Territorial Ubá Ltda; e reassume a direção da Fazenda das Antas.
Em 1970, inicia-se nova fase de atividade agrícola através do "plantio direto" nas lavouras de soja e trigo - pioneirismo que devemos sempre lembrar.
Em 1975, o patrimônio formado em 1922 transformou-se em Sociedade Agrícola Fazenda das Antas Ltda. Nesta ocasião, Sylvia, professora livre docente de língua e literatura alemã da Universidade de São Paulo (USP), e filha mais velha do casal Bráulio e Aracy, aposenta-se e vem residir definitivamente nas "Antas". Ajuda seu pai na administração. Posteriormente, vem residir também na fazenda, a neta, senhorita Carmem Barbosa Ferraz Rein, filha de Anna Maria que passa a ocupar uma casa que sua tia Sylvia lhe cede e contribui com a mesma na administração da propriedade.
Em 17 de fevereiro de 1983, o casal Bráulio e Aracy festejou 60 anos de vida conjugal, reunindo filhos, netos e alguns amigos para a comemoração. Neste mesmo ano, em 02 de outubro, Aracy falece e em 23 de fevereiro de 1984, Bráulio Barbosa Ferraz também falece. A pedido de ambos, suas cinzas foram espalhadas no jardim próximo à resid~encia onde viveram, amaram, criaram raízes e foram muito felizes.
A filha do casal, Regina e seu esposo João Martinho Kinker mudaram-se definitivamente para a fazenda, ocupando a casa da séde como residência, enquanto que Sylvia passa a residir na casa de Mário, com a autorização do mesmo.
No correr dos anos, as cotas da sociedade pertencentes às irmãs foram sendo vendidas ao irmão Mário, que em 1996, adquire a totalidade das mesmas, conseguindo assim realizar um dos desejos de Bráulio Barbosa: a não divisão da propriedade.
Em 10 de maio de 1999, em acidente, falece Sylvia Barbosa Ferraz, que residiu em Andirá, na Fazenda das Antas, por mais de 25 anos. Assim como o seu pai, Sylvia se preocupava com a educação e a cultura. Desenvolveu vários projetos particulares e na Escola Ana Nery. Pessoa muito inteligente, culta e acima de tudo humana, solidária com as pessoas necessitadas, muito auxiliou a comunidade, tanto material, moral e espiritualmente.
Hoje a séde das "Antas" e seu parque adjunto são habitados pelas irmãs Anna Maria Barbosa Ferraz de Mesquita Sampaio e Regina Barbosa Ferraz Kinker, que pretendem residir lá até o fim de suas vidas (outro desejo de Bráulio). Com a anuência de Mário, seu herdeiro, Antonio Barbosa Ferraz, jovem e trabalhador, preocupa-se e procura cuidar muito bem de suas tias.
A Fazenda das Antas conserva até hoje uma área de 68 alqueires de mata nativa com sua flora e fauna preservadas.


Fonte: Livro - Andirá no cinquentenário de seu Rotary Club
João Adirson Ramos e colaboradores
Cap. II pgs. 33/34/35

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