
Reportagem exibida recentemente pela TV Globo estadual, sobre as 94 palmeiras imperiais que adornam a Avenida Goias,
em Andirá, dividiu as opiniões dos andiraenses. Parte da população defende a retirada das espécies, alegando que a
qualquer momento algumas podem não resistir a um forte vento e cair sobre as residências, provocando danos irreparáveis.
Outros acham que elas fazem parte da história do município e devem ser preservadas. Há ainda os que defendem o corte
apenas das que apresentam riscos de desabar por falta de sustentação. Nos últimos três anos, quatro palmeiras que
apresentavam esse problema, tombaram na avenida causando danos na rede elétrica.
As Roystonea Oleracea, da Avenida
Goias, foram plantadas em 1962, na gestão do então prefeito Mauro Cardoso de Oliveira. Dez anos depois, em 1972, durante
o primeiro mandato do atual prefeito Alarico Abib, a prefeitura realizou a substituição de 18 espécies que apresentavam
problemas de desenvolvimento. De lá para cá, apesar dos cuidados das administrações públicas, as árvores vêm sofrendo
com os desarranjos das condições climáticas e com os avanços de obras de infra-estrutura da cidade, como a construção de
calçadas e pavimentação, que estrangulam suas raízes.
Providências Semana passada, atendendo determinação do
prefeito Alarico Abib, o Departamento de Fomento Agropecuário da Prefeitura, iniciou um minucioso estudo para apurar
com precisão a real situação das palmeiras. O levantamento vai detalhar a altura, diâmetro, ângulo de inclinação,
condições da área basal e do tronco de cada espécie. Segundo o engenheiro agrônomo, responsável pelo trabalho, o
laudo deverá estar concluído e entregue ao prefeito em 60 dias.
Símbolo de pujançaAs palmeira imperiais,
de nome científico Roystonea Oleracea, viraram símbolo de poder político, econômico e social no Brasil. Conquistaram
esse estatus em 1809, quando o príncipe regente D. João VI as plantou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Os troncos
altos, de até 32 metros de altura, esbranquiçados e de palmitos volumosos, transformaram-se em sinônimo de pujança.
A escolha dessa espécie como símbolo do Jardim Botânico não se deve por acaso, vistosas e imponentes, as palmeiras
imperiais povoam o imagináriopopular, que as associa à grandeza e ao requinte. Elas maracaram época no paisagismo
arquitetural do Rio de Janeiro e podem ser encontradas em vários bairros da cidade.
Representam ainda a perpetuação
da memória do Jardim Botânico. Em 1951, segundo pesquisa realizada pela Folha de Andirá, o diretor Paulo Campos Porto
promoveu o plantio de novos exemplares no espaço entre as palmeiras centenárias, para manter a principal característica
da instituição. Em 1958, ele faria um novo plantio, para simbolizar a renovação.
Tombamento
Em junho de 2005, na cidade de Jau-SP, o tombamento de 36 palmeiras imperiais garantiu a preservação do meio ambiente e da
história do município. Na presença de autoridades civis e militares municipais, ambientalistas, estudantes, representantes
de conselhos e órgãos ligados ao meio ambiente, a Prefeitura, através da Secretaria do Meio Ambiente, formalizou o
tombamento das 36 palmeiras imperiais situadas no canteiro da Avenida João Moraes Prado.
A iniciativa do tombamento
foi da ONG Apuã. Segundo o presidente da instituição, foi uma batalha silenciosa de conciliação e uma vitória para a
sociedade. Um marco de um passado pujante e uma vitória daqueles que sonhavam em ver essa importante fase da história
do município de Jaú preservada.
ComércioHá entre os amantes de um belo jardim, o fascínio pelas palmeiras,
seja nas casas particulares, seja em edifícios comerciais.
Nossa pesquisa mostrou que uma palmeira imperial centenária,
com 30 metros, é vendida a pelo menos R$ 20 mil reais, isso sem levar em conta o custo do transporte e plantio. O
mercado é regido por metros, compra-se "o metro de tronco". Os preços variam de acordo com outras características,
como a origem e a qualidade das plantas, mas o sistema métrico ajuda a ditar os cifrôes. A Dypsis, uma das mais
procuradas, começa em R$ 1 mil o metro e, na média, dobra de preço cada vez que cresce outros 60 centímetros. Compra-se,
normalmente, espécies que variam de 1 a 3 metros e não mais do que isso, porque os valores vão à lua. De acordo com
especialistas, apostar em mudas é uma decisão apenas romântica, porque exige décadas a fio de espera pelo crescimento
da planta. Não é atividade para amadores.
As palmeiras imperiais (gênero Roystonea) que foram introduzidas na época
do segundo império, são muito conhecidas no Brasil por seu porte majestoso e beleza, sendo encontradas nas tradicionais
e históricas fazendas de café e hortos florestais.
Em suma, as palmeiras formam um capítulo importante na flora mundial,
com destaque para o Brasil, que por seu tamanho continental abriga um grande número de espécies desta famosa família
das plantas.